Graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), com habilitação em Teoria Teatral, Camila Pitanga teve seu primeiro contato com a arte da interpretação no Teatro Tablado, o cultuado celeiro de formação atores fundado por Maria Clara Machado no início dos anos 1950. Ali, de 1991 a 1993, tendo como professores a atriz Guida Vianna e o ator e diretor João Brandão – hoje integrado ao núcleo de teledramaturgia da Rede Globo –, aprendeu os rudimentos do fazer teatral e vivenciou seus primeiros embates com a plateia, em montagens amadoras como A Gata Borralheira (1991), adaptação de Maria Clara para o clássico de Charles Perrault.

Em 1993, estreava na televisão, veículo que a projetaria nacionalmente, na minissérie em Sex Appeal, de Antônio Calmon, e, logo depois, em Fera Ferida, telenovela de Aguinaldo Silva inspirada no universo ficcional de Lima Barreto. A notoriedade, praticamente instantânea, nunca lhe subiu à cabeça. Filha do ator Antônio Pitanga e da atriz e modelo Vera Manhães, herdou do pai não apenas o sobrenome artístico, mas o gosto pela política e uma aguda consciência do papel social do artista. Inquieta, buscou nas lendárias aulas de Filosofia de Claudio Ulpiano, que frequentou por três anos, e na formação acadêmica um norte e o esteio para se firmar na vida e na carreira.

Em 1994, fazia sua estreia profissional no teatro pelas mãos de Hamilton Vaz Pereira, em A Ira de Aquiles, adaptação da Ilíada, de Homero. No ano seguinte, renovava a parceria com o diretor interpretando Penélope, a protagonista feminina de a Odisséia, outro grande épico do poeta grego. Ainda em 1995, subia ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro na pele de Eurídice, por ocasião da segunda montagem de Orfeu da Conceição, peça que em 1956 celebrizou a parceria Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Debutava também na sétima arte sob a lente transgressora de Rogério Sganzerla em O Signo do Caos. Último longa do diretor de O Bandido da Luz Vermelha, marco fundamental na história do cinema brasileiro, o filme só seria lançado em 2003.

Na televisão, depois de atuar em novelas de Silvio de Abreu (A Próxima Vítima, 1995) e Glória Perez (Pecado Original, 1996), participou de projetos inovadores, como a minissérie Invenção do Brasil (2000), de Guel Arraes e Jorge Furtado, transformada em filme no ano seguinte, e o humorístico Garotas do Programa (2001), assinado pelo quinteto de autoras do grupo Grelo Falante. O gosto pelo risco fez com que transformasse o que parecia um grande desafio no seu maior sucesso na telinha, brindando o país com uma interpretação arrebatadora de Bebel, a irresistível vilã de Paraíso Tropical (2006), de Gilberto Braga, com quem voltaria a colaborar recentemente, em Insensato Coração (2011).

Com uma visão do sucesso antes como um poderoso aliado para o engajamento em projetos autorais do que como pretexto para a acomodação, soube promover sua volta aos palcos em grande estilo. Como atriz-produtora levou à cena em 2002, em parceria com o ator Marcos Breda, o diretor Luiz Arthur Nunes e a produtora Maria Helena Alvarez, o clássico da commedia dell’arte Arlequim, Servidor de Dois Patrões, sucesso de público e crítica dois anos em cartaz, e, em 2004, a impagável paródia do melodrama clássico A Maldição do Vale Negro, de Caio Fernando Abreu e Luiz Arthur Nunes.

O interesse crescente pelo cinema a levou a imprimir a marca de seu talento em filmes como Bendito Fruto, de Sérgio Goldenberg, e Redentor, de Claudio Torres, ambos de 2004, Mulheres do Brasil, de Malu de Martino (2006), e Saneamento Básico, de Jorge Furtado (2007). Rodado em 2011, Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca, seu maior desafio como atriz na tela grande, entra em circuito no primeiro semestre de 2012 com quatro prêmios acumulados, dois dos quais contemplando seu desempenho no papel da instável e cindida Lavínia: os troféus de Melhor Atriz, pelo Festival do Rio (2011), e pelo Amazonas Film Festival (2011).

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